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domingo, 31 de janeiro de 2016

O bichinho do códigos de barras


Não deveria passar de seus 19 anos, era o máximo que ela poderia atingir, sua aparência mostrava isso, nem lembro se ela deu um boa tarde, hum, acho que deu e acho também que na hora fiquei com preguiça de respondê-la, ela passa as mercadorias da minha cestinha com uma rapidez quase sobrenatural, e já vai embalando tudo não era feia e nem bonita, era bonitinha, sim, essa é a palavra certa, o seu rosto não combinava com "bonita", tinha um rosto tranquilo, usava um rabinho de cavalo, uma franja atrás das orelhas. Ela olha para a tela do monitor, e diz o valor das minhas compras, pede algumas moedas, acho que era para facilitar o troco, tirando a minha nota de cem na carteira, digo não ter, aff... acho que eu tinha mas ... Ela faz uma expressão não muita satisfeita ao receber a minha nota de cem e pergunta se eu não tinha uma cédula menor, balanço a cabeça como negativo, ela pede a frente de caixa para trocar, Aff... eu deveria ter dado minha nota de 50, agora vou ter que ficar aqui esperando... Só para atrasar. Enfim o meu troca chega 85,95 confesso que aquela altura a minha expressão não era a das melhores emburrado pego minhas sacolas, e dou de costas, cumprindo mais uma parte da minha rotina.

Eu não sei porque as pessoas acham que somos culpados por não ter troco, também cobrar R$4,05 em cem reais está de brincadeira não é todos os dias que o troco está bom para sair cobrando 2 reais em nota de cem, se está atrasado poderia ter dado trocado ou nota menor, as pessoas pensam apenas nelas esquecem que por trás de um leitor de códigos de barras existe um ser humano como qualquer uma delas, um ser humano que cansa com o seu trabalho, Boa tarde, boa noite, acho que perdi as contas quem o responde, notas e moedas jogadas sobre o caixa como se fossemos um certo bichinho que deveria pegar todas com a carinha melhor possível após um ato mal educado, -Vou deixar minhas sacolas aqui fica de olho nelas, sim, de olho com a fila enorme com pessoas emburradas a espera de serem atendidas.

-O preço lá está errado! isso é tanto não é esse tanto que você registrou aí não!

-Ah sim, vou olhar para você... A senhora se enganou esse é realmente o preço, você olhou o preço errado, esse é vidro, o outro é plástico.

-Então eu não vou levar...

-Cancela pra mim!

Entre bons dias e boas tardes mal respondidas ou não, vai-se minha rotina completando mais um ciclo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Como se fosse o futuro




Você entra com olhar avermelhado e triste de sempre, com o guarda chuva nas costas passa pelas batatas palhas e as aperta como se estivesse as examinando.

Vai até o hortfruti e faz o mesmo com as verduras, de longe eu te observo sim, um olhar triste e parado como se não tivesse mais expectativas, será as manchas pelo seu corpo? Continuo a te obeservar como se você fosse minha obra prima, e você sabe disso, você sabe que te observo porque você se parece com meu futuro é como se o futuro pudesse olhar para mim, é como se ele quisesse me dizer alguma coisa, é como se houvesse mais alguém como você. Um temporal, as águas vermelhas ficam a ponto de invadirem o supermercado, as pessoas observam a chuva admiradas paradas à porta, mas você sabe que você é o personagem principal do meu quadro, o personagem, com o guarda chuva em mãos, o personagem de cabelos brancos, o personagem de rosto triste e amargurado, você observa duas moças conversando ao balcão e as olha com ar de curiosidade sem maldade, e por um momento você se tornou outra pessoa seu rosto se transformou e tomou uma expressão de sastifação, mas apenas por um momento, você vira-se e olha a chuva novamente, com o olhar de sempre, olhar vago e parado nas aguas vermelhas da enxurrada. Eu não te vejo ir embora, quando olho você não está mais lá como sempre faz;

Como pode se parecer tanto? na praça sentado olhando os pombos brincarem em um canto, sentado com o boné acinzentado, você e seu amigo agora observam a rua você e seu guarda chuva sozinhos, observam a vida em movimento, eu os olho e passo como se não houvesse importância alguma para mim, passo e dou as costas com a certeza, de que algém vivera a mesma vida, como se o futuro ou o presente quisesse me alertar. Você sabe que te observo, talvez não saiba, mas isso não faz mais sentido, isso não é contagioso e você pode sorrir, como qualquer outra pessoa faria. Boa tarde, obrigada, sacola? Não me responde apenas vai embora e toma o seu destino. È como se houvesse mais alguém pedindo socorro é como se a sua vida fosse convertida em mais alguém, isso faz sentindo? Porque me dá vontade de desabar? Porque uma certa afinetada insiste em alfinetar meu coração quando olho para o seu rosto? Sim talvez seja, talvez seja uma certa sensibilidade em olhar as dores alheias.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Eu suponho

Ela chega acompanhada de um rapaz, trás consigo uma criança de aproximadamente 1 ano e meio de idade, está grávida, short jeans com o bumbum ligeiramente de fora, sua batinha rodada que não cobre toda a barriga mostra algumas estrias, marcas de quase todas nós... O rapaz que suponho ser seu marido a acompanha nas compras, a criança grita e praticamente ordena alguma coisa... Os gritos altos me fazem olhar o caixa ao lado em que ela passava suas compras, muitos doces, fraldas, Mucilon, iogurtes, achocolatado, e leite, e muitas outras guloseimas para criança...

Tinha uma expressão não muito alegre uma expressão que não sei explicar, mas não era alegria faltava alguma coisa, e como faltava... Suponho que ainda nem chegara aos 23 anos, já tinha um filho, e esperava outro, suponho que tenha sonhos ou pelo menos tinha, sonhos interrompidos pela gravidez indesejada(suponho) . Percorri meus pensamentos na suposição da sua infância, uma criança magrela, de pernas longas e finas, e quando perguntada o que queria ser quando crescer, responde que queria ser médica... Faltava frequentemente á escola na sua adolescência, e quando era questionada pela mãe rebelava e saía de casa para curtir com os amigos, na escola nas aulas de português e história, abaixava a cabeça e dormia durante os 50 minutos, seu caderno não possuía anotaçõs ou exercícios... Só Recordava a consciência de que estava na escola quando entrava na porta da sala o professor baixinho e careca que a fazia sorrir, com suas piadas....

Redação ah! para fessor pra que eu escrever sobre José Alencar se ele já está morto?! pra quê escrever sobre defunto?

- Mas ele foi um dos maiores escritores brasileiros,
- foda-se pra ele era rico...
Durante todo o percurso da redação os erros ortográficos riscados pelo professor, "vose" "promeça",  "agente", "inguinorante" ... Abandonou de vez a escola quando estava no segundo ano do ensino médio... Nunca se interessou por faculdade ou coisa assim, até porque nem terminara o ensino médio... Terminar pra quê? Ouvir os professores encher o saco? Aquela mulher não sabe de nada, tanta prosa ruim, ela falando sobre a faculdade do filho aff... O governo é uma bosta mesmo... Só João mesmo pra aguentar, como ele aguenta escrever tanto? como ele consegue ficar a aula inteira com os olhos colados no professor? È João vai ser alguém na vida... Isso não é pra mim, eu devia ter nascido rica não gosto de estudar, eu gosto de sair curtir os amigos, conversar, ficar com os caras, como João aguenta ficar em casa estudando pra prova... Eu tenho que me casar com um homem rico mesmo pra me sustentar... saí fora casar com pobre? Saía para as baladas no frio da meia noite as pernas de fora... e foi em uma dessas baladas que conheceu o carinha foi amor a primeira vista.... Se relacionaram tiveram um filho foram praticamente obrigados a se casar, primeiro o cara não era tão mal assim, pra deixar a moça mãe solteira, segundo ela gostava dele, aliás se realizaria para ela um sonho de mulher se casar ser feliz.... Com os R$1000,00 reais do cara iriam sobreviver, alugariam um barracão, e viveriam "felizes"

Ela queria ser médica aliás o que fez dissipar aquele sonho de criança? Sim ela era pobre nunca teria dinheiro para pagar mensalidades de medicina imagine uma filha de empregada doméstica...

Quando sua mãe saía para trabalhar ficava na casa da tia, sua tia que ela adorava, ela ouvia cada musica louca viu! e quando ouviu aquela garotinha de 5 anos cantando borboletinha disparou em gargalhadas e disse que ela não era mais criança para ouvir tanta infantilidade em uma só música, e disse que iria lhe mostrar o que era música boa, pegou um CD em uma das gavetas da cômoda aumentou o sonzinho no último volume , e rebolou até o chão naquele batidão a magrelinha não entendia nada mas gostava da vibração que o chão fazia... Achou engraçado como o bumbum da tia ia retorcendo, a letra ela não entendia, sei lá o cantor repetia a mesma coisa toda hora era tão diferente da borboletinha que fazia chocolate para vizinha, ela imaginava uma linda borboleta azul sobrevoando pela cozinha mexendo uma grande panela de chocolate quente e na sua pequenina sala cor de rosa a vizinha borboleta esperava o chocolate ficar pronto, era tanto colorido, tantas borboletas... Agora vem esse aí com esse tal de dan, dan, dan, senta, senta... O que significa? Pra quê a música ia falar sobre uma pessoa se sentar? Mas é engraçado como a tia dançava aquela música... ela até a ensinou, aquele som ficou nos seus ouvidos o dia inteiro... a borboletinha foi se afastando aos poucos de sua mente, Os livrinhos de chapeuzinho Vermelho já não lhe interessavam mais, aliás nem outros, livros é coisa de gente idiota, que não sabe aproveitar a vida, (dizia a tia) aos poucos ela começou a entender as músicas, entendeu até cedo demais... E como não entenderia, as coisas que a tia falava também com as amigas né, não via a hora de chegar na escola e contar para as colegas, E aos poucos foi percebendo que não precisava ser médica para ser feliz, ela adorava dançar, beijar, ficar e isso já a fazia feliz se as outras garotas soubessem o que estavam perdendo...

Ela conheceu o cara ele era tão, sei lá tão homem... Tiveram um filho no primeiro mês de relacionamento... Resolveram se amigar, Pouco tempo depois engravidou novamente, nossa criança custa caro hein? Fraldas e mais fraldas e agora outro, só o marido trabalhava... Se lembrou de João o que teria acontecido com ele hein? o filho da doceira, o inteligente da sala, será que conseguiu passar na federal? sim João era pobre como ela como conseguiria pagar faculdade de engenharia? Ah sim ele conseguiu uma bolsa no tal do ENEM, sei lá PROUNI nunca fui de prestar atenção nessas coisas, é eu não disse que João seria alguém na vida?

Sou interrompida pelas minhas suposições um cliente me aguarda no caixa... Uma caixa de leite Itambé, 2,09... Mais alguma coisa senhora?.... ainda ouço a criança gritar por alguma coisa a mãe sorri ao ver as pirracinhas do filho, acha engraçado.... Será que se completará o ciclo vicioso?

O celular do pai toca... Um funk.... Um batidão será que a criança de um ano e meio ainda se lembra da cobrinha do pé de limão?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os peixinhos!

 
-Olha eu vou e já volto e quando eu voltar se vocês tiverem matado os peixinhos por maldade eu nunca mais dou vocês outros hein?


Diz o pai como se já lhes dessem uma frase moralista: Não mateis os peixes da terra!

Sabe quando você sem querer ouve uma conversa de vizinho e você curioso para saber o final do enredo põem-se a parar o que está fazendo e sensibiliza os ouvidos? pois bem, é o que me ocorreu alguns dias atrás...

Eu estava na área quando de repente ouço essa frase acima, não me lembro o que eu fazia mas confesso, eu fiz feio, aprimorei os ouvidos só para saber o final da aventura das criancinhas daquela casa, um casal de garotinhos.

-Nossa gente vocês são difíceis demais bem a mãe de vocês falam, eu não acredito que vocês mataram os peixes por maldade!

A mãe rapidamente aparece na varanda ao ouvir as palavras: matar, peixes, detergente, desperdicio, dinheiro jogado fora.

-Porque vocês mataram os "pexe"!!! Quem matou os "pexe" colocando na água com detergente?!

-Eu matei mãe.

Responde uma voz tímida e apreensiva após o ato do crime com voz de culpado mas tão pouco arrependido.

-Marcos você matou os "pexe" colocando na água com detergente!?

Eu queria ouvir mais, mas não foi dessa vez...

O que teria passado na cabecinha de Marcos em ter a ideia de jogar os pobres peixinhos no suposto holocausto hídrico?

Seria a curiosidade de saber a reação dos peixinhos ao agonizar na água tóxica?

Faço essa pergunta porque quando criança já tive esse meu lado malvado, essa curiosidade em saber a reação da vida até seu último fôlego, ou simplesmente a pergunta que já soou muitas vezes na minha cabecinha de criança: O que será que acontece se eu colocar esse bichinho aqui hein? ou, será se eu fizer assim ou assado ele morre?

È uma atitude que tão pouco me dá orgulho mas os pobrezinhos dos insetos já sofreram comigo principalmente formigas. Eu adorava ficar olhando por horas aquelas formigas cabeçudas(formigas facilmente encontradas na fazenda onde morava) dando duro pelo pão de cada dia carregando folhinhas e mais folhinhas para dentro da casa, gostava de ajuda-las a carregar as suas folhas, mas em meio há essas ajudas também aconteciam "assassinatos", ora sem querer ora por querer, eu gostava de aprecia-las trabalhando e não entendia o porque as vezes batia aquela curiosidade em matar algumas de vez em quando.

Até que... Lembra daquele filme Lucas o intruso no formigueiro? pois bem, ele me fez sentir remoço em fazer tal crueldade, eu via como as formiguinhas agonizavam e faziam de tudo pela sobrevivência, e depois ter que recontruir tudo... Elas tinham família...

O chefe das formigas falou uma frase a qual ficou marcada: "Fazem isso por nada, o que fizemos para que seja feito tal crueldade?"
Eu adorei o filme e o assistir um monte de vezes, sim ele me deu uma liçaõ de moral, Lembrava das balinhas que elas chamavam de pedra doce no formigueiro, da lagartinha que excretava uma espécie de gelatina verde, a qual era apreciada e favoritada pelo formigueiro, lembrava dos olhinhos grandes da formiguinha principal... E acompanhada dessa lição também havia medo, medo de suceder comigo o que ocorreu com Lucas, de ser atingida por aquelas arminhas de encolhimneto desenvolvidas por um dos principais personagens formigas, o rival número 1 de Lucas.

Fiz primaveras e percebi que era impossível formiguinhas desenvolverem aquelas armas "fatais", e junto com o tempo percebi o quão menina malvada eu estava sendo e dentro de mim nasceu um sincero arrependimento. Não fazia mais aquilo por medo e por compaixão mas apenas por reconhecer que eram seres vivos sentiam dores como seres humanos sentem, e mereciam estarem vivas como eu estava, percebi como era feio uma menina fazer um ato tão mesquinho.

È engraçado como vamos mudando com o tempo como detalhes tão simples fazem toda a diferença na nossa personalidade, como nossa ingenuidade de criança aos poucos vai dando lugar a razão. A vida nos forma sem percebermos e quando damos por nós já somos o que somos, não matamos mais formiguinhas inocentes, não descemos um morro em cima de uma bicicleta sem freio, não arriscamos nossa vida tentando pegar uma flor aquática em cima de uma estreita ponte de madeira.

A inocência de criança nos cega em reconhecer atos perigosos e inconsequentes, somos levados por uma emoção inocente que lentamente vamos deixando para trás sem perceber que mudamos...

Como é bom olhar para o passado e perceber que fomos formados com o tempo!

Como é bom lembrar que um dia fomos tão inocentes! que até uma areia na varanda te dava milhares de ideias de brincadeiras! Hoje como jovem adulta percebo como é bom dar valor a coisas tão simples que nos fazem crescer e apreciar a vida!

Pobres peixinhos dourados, peixinhos do mar, peixinhos tirados do seu lar infinito levados para uma casa onde pensaram encontrar a verdadeira paz de espírito

Peixinhos brejeiros, peixinhos ligeiros que nadavam circulosamente, no fundo do aquario de vidro.

Agora as plantinhas artificiais caídas sobre o fundo daquele mar minúsculo ainda guardam as poucas salgas na memória daquelas criaturinhas escorregadias que alegravam os seus dias.

Saudações aos peixinhos, que me fizeram enxergar beleza de vida em tão simples detalhes!






 






 

 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Não há vagas...

Nem precisa  dizer que estamos passando por uma turbulência em nosso País tanto política como econômica, desempregada a quase quatro meses posso dizer que quase o desespero começa a tomar conta do meu ser... currículos e mais currículos entregues sem retornos, poucas entrevistas também sem um retorno.
Não há vagas, não há vagas, frase usada em um desenho animado bem conhecido quando o personagem não encontrava vagas de um hotel para passar a noite, È Leôncio... quem me dera esse fosse o meu problema, no meu caso não há vagas para um caso bem mais prioritário.
Você chega sorridente em uma empresa para entregar o seu humilde "currículo" a secretária te olha com cara que ele não vai chegar nem na metade da porta do RH, pois assim que você sair a porta ele será lançado na lixeira. Você chega a uma loja a vendedora te atende com cara de quem  está farta do trabalho e nem faz questão em perguntar o que você deseja. Ah! se esse emprego fosse meu! não esperaria o cliente nem direcionar a porta da loja direito já o chamaria e o convenceria a comprar metade da loja!
A secretária do seu dentista te atende como se você estivesse ali por mero favor do patrão como se você não pagasse mensalidades caras, abre a porta e te olha como se você estivesse no lugar errado, você se senta na cadeira desconfortável da recepção e pensa solitariamente: Ah! se esse fosse meu emprego, trataria os documentos como se fossem minhas poesias recém criadas, sorriria para os pacientes, e os daria "bons dias e bons dias", como se fossem parte da minha família, eles ficariam satisfeitos retornariam e assim como numa sequência crescente meu emprego seria conquistado e garantido dia após dia.
Se está difícil passar por essa turbulência que já nos fez perder uma década de avanço? Mas é claro que está, se vou continuar distribuindo currículos e currículos pela cidade? Mas é claro que vou!
Ficar parada olhando a tela do computador com vagas praticamente absurdas não me levará a nada,
lamentar pela vaga de vendedor EXTERNO exigindo curso superior ou pelo menos cursando não me levará também a nada, bem eu poderia estar ocupando aquela vaga não dos meus sonhos mas eu me posicionaria e daria o meu melhor, pois experiência é experiência e não se discute, abordar pessoas na rua e entrega-las um simples panfleto me daria coragem de abordagem para um suposto cargo ousado de palestrante jornalista, ou até mesmo RH no futuro, eu conheceria o lado das pessoas as mais diversas reações, Se valeu a experiência de sol a sol de não e não no passado?
Poxa mas valeu muito, obrigada!
Você não foi selecionada para essa vaga mas o seu currículo já está selecionado e será analisado para uma vaga no futuro, é já é bom sinal, vou aguardar e se não me derem mais nenhum retorno lá estarei de novo e assim para as outras empresas o qual o meu currículo foi entregue me aguardem, lá estarei  novamente chata eu né? bem eu quero um emprego eu quero e preciso e vocês precisam de um funcionário que queira dar o seu melhor, bem eis-me aqui!
È uma troca de favores bem sucedido você dá o seu melhor, o empregador cresce em consequência do seu melhor!



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dia de salão


Eu estava feliz e contente no meu trabalho quando uma cliente se aproximou, e me falou de uma promoção que estava tendo no salão de sua neta se me lembro bem, era véspera do dia internacional da mulher, 15 reais escova, e chapa. Era uma boa oportunidade, pois no domingo de manhã precisaria estar com o cabelo pelo menos mais ou menos para a reunião das mulheres. Sabe aquele ditado  que  diz que quando a esmola é muito o santo desconfia? Pois bem, hidratação, escova chapa 15 reais?
 No máximo a hidratação seria um creme Skala deixado três minutos no cabelo. Minha colega de trabalho foi a primeira a aderir essa "super" promoção com gosto na boca.  Bem, do cabelo dela e o meu há uma diferença enorme, meu cabelo é o que dizem vulgarmente cabelo ruim, de cara já descartei a possibilidade de aceitar a proposta quando ela foi me dizendo que eu poderia arruma-lo no horário do meu almoço, pense comigo e se a coisa não desse certo eu iria trabalhar com o cabelo alto para cima? Não mesmo, ela não é a primeira a oferecer a arrumar o cabelo no almoço e o pensamento é sempre o mesmo e se der errado ? E ter que voltar com o cabelo horroroso para o trabalho?  Você sabe como são as pessoas principalmente colegas de trabalho quanto pior ficar mais elogiam.  Você arrumou o cabelo! Ficou bom!
Uma das coisas mais detestáveis que acho é sair com o cabelo feio pagando mico por aí principalmente se for com chapinha mal feita prefiro lavar o cabelo e sair com ele molhado. Minha desculpa foi simplesmente ter um compromisso no meu almoço. Tá almoço passou e lá se foi minha coleguinha de trabalho toda feliz contente com seu cabelinho e eis que quando a vejo sinto um alívio aliviado de ter rejeitado aquela proposta indecente, de cara pensei que haviam feito apenas uma escova, e logo depois descubro que foi passado a chapinha também.
E novamente chega a Sra me dizendo:
-Viu como ficou bonito o cabelo dela?
Bem, eu fiz o certo dizendo que realmente havia ficado "uma maravilha" .
Pensa comigo se ela minha colega que tinha o cabelo 5 vezes menos crespo que o meu e havia ficado uma baderna imagine eu com  cabelo 3C.
Ela insiste dizendo que conversou com as meninas do salão sobre o horário e que eu poderia ir depois do horário de trabalho. Eu poderia dizer que não queria e ponto, era decisão, mas sabe aquele jeito hospitaleiro de brasileiro de nunca querer desagradar ou falar a verdade? bem esse era o meu caso.
Mas... Pensando bem, não era tão má assim... Eu sabia que não ficaria lá essas coisas, mas eu poderia conserta-lo com a prancha quando chegasse em casa.,  
Tudo combinado, Nesse dia eu havia sido escalada para sair mais cedo, cheguei em casa tomei um banho e fui...
Chegando lá ela estava terminando um cabelo, e olha para mim para o meu cabelo, como se dissesse:
Hum.. vai dar um trabalho...
Terminada a cliente me sento na cadeira, e do espelho olho que de cara a senhorita
 
não havia gostado nem um pouco do meu pobre cabelo, olha como carinha como se dissesse: eu vou ter que arrumar isso aqui? suspira fundo e começa a lavar meus cabelos, antes de dizer qualquer coisa, eu antecipo dizendo que já havia passado da hora de fazer um relaxamento. Ela concordando me pergunta, se eu já havia feito progressiva alguma vez, digo que sim mas que não havia gostado do resultado. Me convida para fazer em seu salão, olha para sua colega de trabalho, soltando um sorrisinho sarcástico   diz:
 -Ela vai adorar.
Eu simplesmente não entendi o significado da hironia. e fiquei calada.
Me sento na cadeira com as bochechas vermelhas, e acredite os olhos, cheio de lágrimas, eu estava envergonhada, e por um momento quis ter um cabelo liso onde pudesse ir no salão sem me preocupar com que as cabeleireiras que eu iria pagar pelo trabalho fazerem pouco caso.
Ela simplesmente apenas secou meu cabelo com secador sem ao menos passar a escova uma única vez com uma cara de sofrimento que eu achei que pobrezinha estava com cólica.
Começou a dizer com a companheira como estava cansada, que ser cabeleireira não era fácil ela tão nova, chegava em casa e não tinha animo pra nada pra sair e nem para arrumar a si própria. Reclama da dor nas pernas, na coluna... Alguém liga para ela, e posso supor que era o namorado, pergunta se ela iria demorar muito no  salão, ela diz olhando para o relógio que marcava 19:30,
  -Ah eu não sei estou com uma escova aqui e devo chegar umas 21:30!
   A amiguinha exagerou né nem eu quando faço em mim mesma  não gasto esse tempo todo. Ainda  mais ela que estava simplesmente secando.
Chega uma conhecida e ouvindo o desabafo da amiga, diz:
-É tenso mesmo principalmente quando você pega uma perna grossa no final do dia.
 Ela responde suspirando fundo:
     -E essa está grossa viu!
 A coleguinha olha para ela com uma cara de peninha, sem se importarem que ali estavam um ser humano, e que aquele ser humano era dono do cabelo que criticavam tanto, poderiam pelo menos esperarem que eu fosse embora né?
Terminado a "escova", embora meu cabelo ainda estivesse húmido ela passou a prancha, com uns 15 minutos passou pelo meu cabelo todo. olhei no espelho depois de terminado e pensei que ficaria pior, ... pela má vontade, por nem esticar nem um pouquinho a raiz do cabelo a parabenizo pois realmente    achei que iria ficar pior...
Hora de pagar, lembra que a promoção era 15? eu havia levado 20 reais para minha tristeza. Dou a ela 20 reais, ela virando-se para pegar o troco, digo:
    -Não ´precisa é 20 moça eu sei como meu cabelo estava difícil.
     Ela diz:
    -Não moça é 15 vou buscar o troco para você.
insisto e ela aceita muito sem graça. É uma pena não ter levado uns 50 reais pois eu daria mesmo sem merecer.
 Profissional é profissional, cabelereiros trabalham com auto estima das pessoas, e não para destrui-las Se você é profissional você tem estar preparada para diversos situações , diversos cabelos que surgirem. Mulher sabe como valoriza seu cabelo sendo liso cacheado, crespo ondulado, gostamos do nosso cabelo mesmo as vezes em que tentamos muda-lo, cabelo é o caixa postal da mulher, por isso você se sente tão ofendida quando simplesmente desfazem dele.